“Meu Amor”, o clip

Jerri Dias foi o cineasta que pela primeira vez, em 1999, me convidou para fazer a trilha sonora de um filme. O primeiro curta que fizemos juntos, “A Vingança de Kali Gara”,  ganhou vários prêmios, incluíndo melhor filme, direção e trilha sonora no Festival de Cinema de Gramado (mostra de super-8) de 1999. Depois disso trabalhamos em vários filmes que ele dirigiu e até ganhamos outros prêmios. Mas desde o primeiro filme nós falávamos em produzir um clip de uma música minha. Então convidei o Jerri para dirigir o clip de “Meu Amor”.

A canção havia se tornado um sucesso regional mas pouquíssimas pessoas sabiam que eu era o autor e intérprete. Isso porque, após eu lançá-la, ganhei um bolsa pra estudar música erudita em Paris, no IRCAM,  e abandonei o rock. Anos depois, quando abandonei a música erudita e voltei pro rock, resolvi reclamar a paternidade da canção ! Então achei uma boa idéia fazer um clip dessa música.

O Jerri escreveu três roteiros diferentes. Escolhemos um no qual eu assisto a um teatro de marionetes e vejo que eu mesmo sou o personagem. Enquanto rola uma paixão perturbadora, o marionete Yanto toca o seu piano e perambula por um mundo em ruínas.  Então chamamos o Marcelo Tcheli que é um cara muito interessante, misto de artista e inventor para criar os marionetes e o cenário.

O clip demorou muito pra ser produzido. O Jerri tava envolvido na direção de uma série para televisão, o Tcheli tava em turnê pelo Brasil afora e eu tava metido em outros projetos. Mas as coisas foram rolando lentamente e, então, anos depois, rolaram pra valer.

A agenda de todo mundo encaixou e meu amigo Rene Goya apoiou o projeto e disponibilizou a estrutura, os equipamentos e os profissionais de sua produtora, a Estação Elétrica, para gravarmos o clip. Além disso, um cara chamado Pablo Chasseraux, talentoso diretor de fotografia, curtiu a idéia e entrou pro time.  Depois de tanto tempo de preparação, o clip foi filmado em dois dias !

Depois que o clip ficou pronto ele ainda passou um tempo na minha gaveta, esperando para sair junto com a divulgação nacional do site (com o disco pra ser baixado gratuitamente) e do clip de outra música (“Eu Não Sou Daqui”).  Mas no final das contas o Jerri Dias não aguentou a minha lentidão e acabou ele mesmo disponibilizando o clip no YouTube. Graças a ele é possível assistir em primeira mão o clip de “Meu Amor”, antes que ele seja divulgado pela assessoria de imprensa para o resto do país.

A ficha técnica é a seguinte:

Roteiro e Direção: Jerri Dias
Direção de fotografia: Pablo Chasseraux
Cenografia, bonecos e manipulação: Marcelo Tcheli
Produção: Tassia Furtado
Figurinos (marionetes): Eliseth Laitano
Assistente de Produção: Lara Kupzinski
Edição: Drégus de Oliveira
Efeitos: Marcelo Henriques
Produção Executiva: Estação Elétrica Filme e Vídeo

Tudo é Inglês

Tudo é em inglês nesse Brasil: O nome da loja de roupa, de brinquedo, o salao de beleza, a vídeo locadora, as peças do computador, o nome dos produtos, das bandas, das tribos urbanas, as gírias, os termos, tudo é inglês.

Nós brasileiros, em geral, pensamos que as coisas soam melhor, são mais bonitas e tem mais credibilidade em inglês.

Se na hora de batizar uma loja, um bar, um produto ou uma banda, surge um nome em português ele dificilmente soa bem. Mas é só falar ou escrever o nome em inglês e pronto! O nome fica importante, charmoso, cinematográfico. É preciso pensar muito para criar um bom nome na língua pátria. Mas isto não é à toa… fomos levados a pensar assim através de um longo processo que tinha, e tem, o objetivo de nos manter como uma colônia.

Então qualquer coisa em inglês soa bem. Em português não… parece coisa de pobre, parece coisa de tupiniquim. E assim, por preguiça, a gente papa capim.

Do jovem publicitário que quer conceituar o seu produto ao velho senhor que vai pintar o letreiro do seu boteco, passando pela moça que busca um nome para a sua lojinha, todos usam nomes em inglês. Mas a maioria mal sabe dizer o que significam.

Mesmo se o dono de um boteco, o seu Pedro, quiser ver seu nome no letreiro, ele coloca uma apostrofe e o “s” e fica “Pedro´s Bar”. Aí fica tudo bem. E assim, com pensamento de colônia, continuamos uma colônia dependente e submissa à metrópole. E nisso muito se perde, inclusive a língua.