Nos idos de 89

Olha só o que eu achei: um vídeo da minha primeira banda, chamada DTR, tocando no Jornal do Almoço em 1989 !

Aposto que vocês nem tinham nascido. Eu tinha acabado de fazer 16 anos.

O vídeo e o áudio tão bem toscos mas dá pra sacar.

Eu morava no oeste de Santa Catarina, numa simpática cidadezinha chamada Jaborá, na região do Contestado. Mesmo morando num lugar tão isolado, eu lia fanzines e revistas sobre rock e encomendava fitas-demo, discos e fitas de vídeocassete das novíssimas bandas do país e das gringas.

Assim eu conheci Replicantes, Defalla, Cascavelletes e tantas outras. Às vezes, nos fins de semana, meu pai vinha trabalhar em Porto Alegre e eu vinha junto. Andava pelo Bom Fim, com meus 14, 15 anos.

Tanto enchi o saco dos meus amigos de Jaborá que um deles, o Júnior Finger, começou a estudar guitarra. Outro amigo, o Joy da Silva, comprou uma bateria. Ninguém topou tocar baixo, então eu deixei o teclado de lado, comprei um baixo e passei a estudar como louco.

Eu já tinha um monte de músicas compostas e, quando começamos nossos sofríveis ensaios, fiquei inspirado e comecei a compor mais e mais. Batizamos a banda de DTR. A sigla não queria dizer nada, mas inventamos que era o nome de um composto químico.

Assim que ficamos mais afiados e afinados, começamos a ir em todos os bailes da região pra pedir que as bandas nos deixarem tocar no intervalo. Na maior parte das vezes funcionava. Entrávamos no palco com toda aquele gás e revolta juvenil e as platéias, acostumadas com vanerão, xote e fandango, ficavam apavoradas com nosso roquenrou.

Um dia meu amigo Marcos Ricardo Weissheimer, um advogado cheio de contatos, falou que o Jornal do Almoço iria fazer um programa ao vivo em Joaçaba e que estavam procurando uma banda para tocar. Joaçaba era uma cidade muitíssimo maior que Jaborá. Eles tinham prédios e sinaleiras! Eu estuda lá e adorava a cidade, apesar da maioria dos colegas me chamar de colono pelo simples fato de morar em um lugar menor.

Nos reunimos com a produção do programa e eles toparam a idéia. Avisei o DTR, mas o Joy, que era muito envergonhado, disse que não queria aparecer na TV. Então chamamos o Edson Minatti, que topou na hora. Ele estava morando em Florianópolis e disse que iria divulgar o show por lá. Quando ele chegou em Jaborá para ensaiarmos, soubemos que a tal divulgação resumia-se à uns garranchos com o nome da banda escritos nas classes e cadeiras da UFSC.

Então chegou o dia. Chovia muito. Palco gigante montado no centro de Joaçaba, as ruas lotadas de pessoas com seus guarda-chuvas para ver Jornal do Almoço ao vivo. Então o apresentador, Cacau Menezes, nos chamou. Tocamos uma música minha chamada “A Guerra Não Acabou“, uma crítica à Organização das Nações Unidas (ONU). A galera de Joaçaba viu os colonos de Jaborá subirem ao palco pra tocar o seu roquenrou pra todo o estado. Foi a Glória!

Um ano depois eu saí de Jaborá e o DTR acabou.

Agora, mais de 25 anos depois, eu consegui uma cópia em VHS, graças a Lizi Cordeiro (obrigado, querida), que gravou o programa na época.

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